domingo, 17 de abril de 2011

Paulistão?

Neste Domingo, a primeira fase do Campeonato Paulista de 2011 foi encerrada.

Definidos os quatro times que disputarão a Série A2.

Definidos, também, os outros quatro que disputarão as quartas de final.

Contra os já definidos em 2010, São Paulo, Palmeiras, Cortinthians e Santos, graças ao imenso número de oito classificados que o regulamento propôs e os clubes assinaram.

O recém chegado São Bernardo, o Grêmio Prudente, o Noroeste e o Santo André despediram-se melancolicamente, embora merecessem a companhia de pelo menos Ituano, Bragantino, Linense e Botafogo.

Não é afronta aos clubes ou às cidades, mas sim ao péssimo futebol que o Paulista-11 apresentou. O ex-Barueri e o Ramalhão caíram duas vezes em menos de seis meses. Tão ridículo quanto a rima formada no período anterior.

Entre os oito primeiros poderiam pintar Paulista ou São Caetano. Americana não, pois o negócio é futebol e não o contrário.

O São Paulo começa a ganhar nova cara com Carpegiani, assim como regularidade. Esta, o Palmeiras de Felipão tem de sobra e o Corinthians de Tite e o Santos de Muricy buscam incessantemente.

Os dois primeiros colocados, por coincidência, não venceram na última rodada. Empate entre tricolores e o Oeste e vitória da Macaca contra os verdes.

O Peixe e o Timão venceram, sem levar gols e mativeram suas posições.

Futebol fraco, sonolento, infinitas rodadas e um mata-mata, que só mata o trabalho de  19 rodadas em uma tarde de domingo.

Paulistão só no tamanho da tabela e na incompetência dos cartolas!

Por Bruno Grossi

O som da liberdade

Ela ainda assistia os últimos pedaços se tornarem cinzas com um sorriso no rosto e um regozijo incontrolável. Era uma sensação indescritível de liberdade, de vingança. Ela não queria que aquilo terminasse. De uma forma ou de outra, dar fim àquelas fotografias acalmava seu coração calejado. Ela podia respirar sem doer, sem parecer que havia um buraco no meio do peito. Ágata sabia que aquilo era placebo, sua dor continuaria ali por um bom tempo. Suas lembranças jamais a deixariam em paz. Mesmo sua paz de espírito se fora. O que fazer quando te tiram o chão?
Enquanto as últimas chamas se apagavam, Ágata apanhou um café bem forte e totalmente sem açúcar. “Amargo como meu coração”, pensou. Era difícil aceitar a ideia de que fora traída por alguém em quem confiava tanto. A imagem daqueles dois juntos era inimaginável. Algum pedaço parecia faltar. Algum não, muitos pedaços. Lidar com a situação estava se fazendo extremamente complicado. Ágata estava tentando seguir com sua vida, com seus objetivos, com seus sonhos, mas certas imagens e ideias não lhe abandonavam. Quando parava em seu quarto e começa a divagar, um jogo de palavras e imagens tomava sua mente, questionando-a, perturbando-a, rindo de sua cara e chamando-a de perdedora. Afinal, ela havia sido passada para trás. Seu orgulho fora pisoteado, sua autoestima estava no chão. Recomeçar era parte de sua rotina, mas as forças estavam lhe faltando.
Resolveu sair daquela imobilidade na qual se encontrava e juntou os restos fotográficos numa sacola plástica. Havia muita fumaça e Ágata estava ficando enjoada. Jogou tudo no lixo, fechou a porta e foi deitar-se. Dormir havia se tornado um sacrifício naqueles tempos, já que era o momento do dia que as lembranças se apossavam de sua mente de forma incontrolável e dolorida. As lágrimas eram inevitáveis. Era odiável sentir-se tão humana. Toda essa vulnerabilidade lhe deixava revoltada. Resolveu colocar sua banda favorita para tocar.
Ágata começou a sentir ojeriza de sua cama. Ficar de um lado para o outro todas as noites era cansativo. Dormir uma noite inteira seria pedir demais?  A noite escura e fria lhe deixava mais atormentada ainda. O vento uivava lá fora, enquanto sombras desenhavam o chão do quarto. O vazio foi tomando seu interior de forma absurda e não era mais possível respirar. A dor era deveras grande. Finalmente um choro profundo rompeu em seu peito. Um choro desconsolado. O mundo não tinha acabado, mas o seu mundo sim. A música agora soava baixa e depressiva.
Tornou-se impossível ficar naquele lugar. Ágata largou tudo do jeito que estava e resolveu sair. Pegou as chaves do carro e correu para a garagem, as lágrimas caindo feito cachoeiras por seus olhos, agora mais azuis do que nunca. Pisou fundo no acelerador e partiu sem rumo. Ela mal enxergava o caminho, só tinha a certeza de que devia deixar tudo para trás. Quando se deu conta, estava numa estrada escura que era conhecida. Por muitas vezes, Ágata havia feito aquele caminho para chegar ao seu paraíso particular, um penhasco no final da estrada. A vista era linda e costumava lhe acalmar a alma. Um arrepio subiu pela espinha, talvez pelo vento frio que entrava pelas janelas. O aperto no coração não lhe deixara jamais.
Percebeu que o penhasco se encontrava a frente. Parou o carro, desceu e começou a caminhar para mais perto da ponta, como sempre fazia. O vento se fazia cada vez mais forte e cortante. Ágata não conseguia sentir mais nada, a não ser o fascínio de se aproximar cada vez mais da beira e aquela dor incessante. Quando finalmente chegou bem próximo ao fim do precipício, parou para escutar o zunido que o vento forte fazia ao passar por suas argolas de prata. Aquele som anestesiou-a, parecia a mais divina melodia que já ouvira na vida. Em júbilo, caminhou mais um pouco, até a ponta de seus pés não estarem mais em contato com o solo. Só havia o som em sua cabeça no momento. Fechou os olhos e continuou a caminhar. Nada mais importava, ela estava feliz. Havia finalmente encontrado a famigerada felicidade. Ágata estava livre. Da agonia, da dor, dos sentimentos humanos. Livre para sempre.

Por Vivian Leal

sábado, 16 de abril de 2011

Crítica

Nessas últimas semanas a televisão brasileira trouxe uma série de novidades no campo da dramaturgia. Eu tive a oportunidade de acompanhar algumas delas e decidi fazer uns comentários críticos que não podem ser considerados definitivos, tão somente eu assisti muito pouco dessas novas produções, que estão apenas chegando.
Cordel Encantado, novela da Globo
Sabe quando você assiste uma novela e não se sente idiota? Ultimamente isto tem sido bastante difícil, mas aí veio a nova das seis da Globo. Com a impecável direção de Ricardo Waddington, o texto inteligente e audacioso de Thelma Guedes e Duca Rachid, o talento de um elenco muito bem escalado e entrosado e a tecnologia de cinema (aquela história dos 24 quadros por segundo), a primeira semana de Cordel Encantado foi de encher os olhos do público.
O mais interessante de ressaltar é que se trata de uma trama fantasiosa e montada sob os moldes de uma fábula épica, por que não dizer, um conto de fadas do sertão.
Romance, humor, fantasia, leveza. Tudo o que o telespectador das seis da tarde quer ver.
Não tenho dúvidas em afirmar que será um sucesso de público e crítica.
Morde & Assopra, novela da Globo
Eu tenho a clara sensação de que já vi aquelas histórias sendo contadas antes. Não existe o tom de novidade que uma novela precisa ter para seduzir seu público.
Walcyr Carrasco insiste em escalar alguns atores que não são suficientemente expressivos, como Paulo Vilhena, Sérgio Marone, etc, etc.
O público está cansado dos mesmos personagens e dos textos repetitivos de Carrasco no horário.
Imagino que a novela não enfrentará problemas na audiência, já que as tramas centrais estão bem articuladas. Mateus Solano, Flávia Alessandra, Caio Blat, Marcos Pasquim, Adriana Esteves e Vanessa Giácomo carregam a novela nas costas. Até quando?
Amor e Revolução, novela do SBT
Talvez seja a única produção do gênero que busque “acrescentar” alguma coisa ao povo brasileiro. Não sei se essa é missão de uma novela, que é puro entretenimento, mas vale a colocação.
Trata-se da história do país, mas principalmente de uma história de amor nos anos de chumbo da ditadura. Para quem entende de teledramaturgia, algo semelhante a Anos Rebeldes, da Globo.
A questão é que essa aí foi feita em 1992, quando ainda havia ecos da ditadura e pouca liberdade para o autor Gilberto Braga. Hoje é diferente. Tiago Santiago, que traz no currículo a risível Mutantes, da Record, é o responsável por Amor e Revolução e está livre para bancar qualquer conteúdo político e mesmo cenas de tortura e violência. Se é para ser uma história coerente, o SBT e Tiago têm mesmo que arriscar e ousar.

A eleição de Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira, fez a novela aparecer no momento certo. Afinal, o brasileiro precisa dar de cara com sua história.
Assisti à primeira semana e não gostei do que vi.
Apesar de relembrar todos esses momentos, Tiago supõe em seu texto que o brasileiro não conhece o mínimo de sua história, ou seja, apresenta os personagens e o contexto como um livro de história da 4ª série, com o nível lá embaixo. Espero que com o tempo, a trama possa evoluir.

Outro ponto interessante é a direção da novela. O trabalho não me parece ser o mais bem feito, tanto que muitos atores parecem desconfortáveis em cena. Além disso, as cenas de ação, trocas de tiros e violência são no mínimo toscas.
Se era pra fazer uma novela que marcasse a história da teledramaturgia, custaria muito mais caro um investimento em direção e pessoal capacitado para transformar esse tipo de cena em algo verossímil?
Apesar de tudo não gostaria de destacar só os pontos negativos...
O horário é muito bom, o tema é o melhor possível para o momento e existe um potencial muito grande, basta virar realidade.
Rebelde, novela da Record.
Falta muito para a emissora paulistana chegar perto do padrão de qualidade que o público sente prazer em ver, que não é, necessariamente, o padrão Globo.
A Record peca em elementos fundamentais de uma boa trama: diálogos mal formulados, texto espalhafatoso e atores mal conduzidos.
Rebelde é só mais uma mostra disso.
Elenco eficiente, que deve levar a novela até o final sem grandes problemas, mas também sem grandes surpresas, o que é a chave da desventura.
A Record trouxe, há alguns anos, uma proposta muito boa de fornecer alternativa de entretenimento em televisão, mas a decepção aumenta cada vez mais.
Alguns atores que deixaram a Globo por essa oportunidade na Record estão, aos poucos, voltando para casa. Exemplos de Gabriel Braga Nunes, Lavínia Vlasak, Tuca Andrada, Petrônio Gontijo, entre outros.
Se a Record não investir logo em autores hábeis e inovadores e em direção moderna pode ver seu barco afundar em pouco tempo.

Batendo Ponto, Tapas e Beijos, Divã e Macho Man, seriados da Globo.
A emissora resolveu apostar em produções novas e faz muito bem. A retirada do ar do Casseta e Planeta foi importante para evitar a ridicularização dos integrantes da trupe que, em sua maioria, são bastante talentosos. Sabe reciclagem?
No lugar do Casseta entrou Tapas e Beijos, estrelada por Andréa Beltrão e Fernanda Torres.
Minha análise é a mesma para Divã, que estreou logo depois com Lilia Cabral protagonizando.
Assisti as duas em sequência e não dei nenhuma risada. Talvez seja uma tentativa da emissora de fugir da estereotipação que alguns seriados acabam tomando, como Toma Lá Dá Cá, que no final da última temporada só tinha personagens-bordão.
São séries mais exigentes intelectualmente, e talvez isso cumule em um eventual insucesso na audiência, mas os textos são bons. Quem acha que vai morrer de rir nas noites de terça-feira está enganado.
Batendo Ponto, por sua vez, é mais divertida. No domingo à noite, pode ser uma boa desestressar e rir com Ingrid Guimarães, Pedro Paulo Rangel e Alexandre Nero. O grande problema é que é um humor muito fácil, os personagens e as piadas são criados para que as pessoas dêem aquelas risadinhas sem graça e pronto, ou seja, o humor é raso, meio óbvio.
Fora isso, não deu audiência, chegou a ficar em 3° lugar no Ibope e não deve ter vida longa no pós-Fantástico.
Já Macho Man, da dupla Fernanda Young e Alexandre Machado me parece ter vindo para ficar. O personagem principal é feito por Jorge Fernando. É a história de um gay que depois de sofrer um acidente numa boate acaba passando a sentir atração por mulheres, ou seja, se torna um ex-gay, algo que detesta, mas tem que conviver.
A série alternou momentos de humor barato, complexo e escrachado, características do casal de autores e teve grandes momentos. Acho que com o tempo a série tende a melhorar.
É muito bom ver que a televisão brasileira está em busca de sair da mesmice. Sem essa de mais do mesmo, modernizando e melhorando a qualidade da programação.

Por Gabriel Carneiro

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Santos Renasce

14 de abril de 1912.
Em viagem inaugural, depois de zarpar de Southampton/ING em direção de Nova York/EUA, o maior navio de passageiros do mundo, o Titanic, colide com um iceberg e naufraga. Fruto de trabalho árduo e com tecnologia de ponta, era considerado “inafundável”. Destino tenebroso.
14 de abril de 1912.
Na cidade de Santos, três rapazes idealistas se reúnem para fundar um clube de futebol. O grande sonho era que um dia se tornasse o maior time da cidade. Destino inimaginável.

14 de abril de 2011.

No dia do seu aniversário de 99 anos, quem deu bola mais uma vez foi o Santos Futebol Clube.
Com muitos desfalques, o time foi ao Paraguai encarar o Cerro Portenho, líder do grupo 5 da Libertadores.
A vitória era simplesmente fundamental, o time estava sob pressão por todos os lados. Jogo fora de casa, estádio lotado, muitos desfalques, aniversário do clube... e o renascimento do Santos na Libertadores ficou nas mãos dos 11 guerreiros que entraram em campo sob a batuta de Muricy Ramalho.
E foi justamente a interferência do treinador que fez o Santos atuar de forma organizada e equilibrada. Os jogadores sabiam, pela primeira vez na competição, o que tinham que fazer em campo: defender, catimbar, mas nunca negar a mentalidade ofensiva.
E assim foi.
O maestro Paulo Henrique Ganso deu o tom e seus eficientes companheiros colocaram a bola dentro das redes adversárias duas vezes. Danilo e Maikon Leite foram os autores dos gols.
O Cerro diminuiu a vantagem no final, mas nada que pudesse assustar.
Nem o santista mais fanático imaginaria que essa partida fosse ser tão fácil.
O Peixe se comportou como time guerreiro, mas não teve muito trabalho, o Cerro não esboçou reação, apenas aceitou a simples condição de time pior.
“O fragor das batalhas memoráveis” prenunciado pelo padre Paulo Horneaux de Moura deu a tônica da vitória que reanimou o Santos na competição continental.
Ninguém mandou desconfiar do Santos...
Deram a brecha. 99 anos e mais vivo do que nunca.


Por Gabriel Carneiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

Harmonia em Trítono – Parte 1

Deparei-me com a porta de meu apartamento. Não sabia de onde vinha, apenas tinha a noção de estar voltando. Minha vista estava turva, ou uma neblina negra onipresente bailava em movimentos circulares e absorvia a luz local. Quando movia minha mão, ela se esvaia entre os dedos como que um fluído sedoso.
Consegui achar a fechadura e empurrei a porta, que abriu sem fazer qualquer ruído. Paralisei logo ao adentrar o lar, quando percebi que este estava também inundado com o mar de vapor viscoso. Era dia, porém o ambiente estava escurecido, e tudo só se diferenciava pelos contornos em escala de cinza.
A planta de meu apartamento era conduzida por um corredor que dava acesso a todos os quartos e a suíte, que fica nos fundos. Portanto, quando se entrava pela sala, podia-se ver até o fim de sua extensão. Estava impossível de enxergar o fundo, pois, na metade do corredor, havia um buraco negro de sombras das quais, apenas se destacavam alguns perfis de objetos metálicos.
Continuava petrificado naquele silêncio. Eu queria sair correndo, mas temia virar e me deparar com algo pior, ou dar as costas para aquele obscuro cenário. Dava para ouvir o bater de meu coração, que palpitava a ponto de senti-lo reverberando na garganta. E isso perdurou até começar o chiado.
Uma silhueta feminina se aproximava lentamente, curvada, com os braços praticamente pendurados no corpo. Não era possível ainda distinguir cores, apenas um contorno que vinha arrastando os pés, fazendo um chiado leve como o de uma folha de papel sendo arrastada lentamente pelo chão.
À medida que se aproximava, era possível notar sua pele branca gélida, como se o sangue já não circulasse, formando uma poça densa dentro de seu corpo. Suas pupilas estavam dilatadas a ponto de não ser possível distinguir sua íris, não passavam mensagem alguma, apenas fixação em meus olhos, que, por sua vez não piscavam já entregues. Sua boca estava aberta e, entre um passo e outro, era possível escutar sua respiração, que soava sempre como um último sopro de vida.
Luiz Vassallo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pós-jogo: Santos 3x2 Colo Colo

Aposto que você lembra do time de futebol que fez mais sucesso no ano de 2010 e encantou todo o país, certo? Aquele dos moleques... aquele que sempre goleava e jogava bem, e que ninguém conseguia vencer... o Santos? Pois é.  Depois de se esconder por trás do “futebol de resultado” proposto pelos treinadores Adílson Batista e Marcelo Martelotte e de ver a torcida dar as costas ao time, o Santos resolveu voltar a ser Santos na noite de ontem.

Desesperado com a possível eliminação na 1ª fase da Taça Libertadores (o time só tinha 2 pontos até então), o Santos entrou em campo com uma nova mentalidade e querendo atacar o chileno Colo Colo desde o início. Ainda nervoso, não conseguia concatenar jogadas de efetividade, mas continuou buscando com base no toque de bola rápido e nos chutes de média distância, já que o goleiro adversário, Castillo, não é o que se pode chamar de melhor goleiro do mundo.

Até que resolveu deixar o nervosismo de lado e pensar o jogo. Com cérebros como os de Elano, Paulo Henrique Ganso e Neymar, não deu outra. O Santos tocava a bola e batia no gol, insistentemente. Uma hora tinha que sair. E saiu. Elano, de falta, marcou o primeiro e incendiou a lotada Vila Belmiro, feliz e confiante.

Não demorou para o volante Danilo anotar o segundo. Esse jogador, inclusive, foi uma grata surpresa da partida de ontem. Ele não vinha fazendo exibições convincentes, mas ontem foi um dos melhores em campo, sem dúvidas. No segundo tempo, o Santos buscou o controle do jogo, mas não contava com a perda do controle emocional.

Vamos por partes, como diria Jack, o Estripador.

Neymar fez jogada linda, típica dele mesmo e marcou o terceiro do Peixe, para o total êxtase da torcida.
Alegre, foi comemorar o gol e colocou uma das máscaras com seu rosto que haviam sido distribuídas ao torcedor do Santos antes da partida. Como já tinha cartão amarelo, acabou expulso. Discussões de regra à parte, o Santos ficou enfraquecido com a perda do melhor jogador.

O clima esquentou e o Santos ainda viria a perder Zé Eduardo e Elano expulsos. Grande problema para ser resolvido na próxima quinta-feira, quando o Peixe visita o Cerro Portenho no Paraguai em busca de tranqüilizar sua situação na Libertadores. E o grande reforço será o novo técnico, Muricy Ramalho, que vai ter muito trabalho pela frente.

Lembrando, é claro, que o time tomou um grande sufoco perto do final da partida, quando o Colo Colo reagiu, marcou dois gols e graças à sorte do Peixe, ficou por aí mesmo. Uma das primeiras missões de Muricy será o de acalmar o time e dar aquela noção de “fez, segura”, se é que você me entende.

Com novo fôlego na competição continental, a torcida santista canta extasiada e pode continuar sonhando com a terceira estrela.

Por Gabriel Carneiro

Tricolor por tricolor, deu São Paulo Vencedor



No duelo decisivo entre tricolores na última quarta-feira pela Copa do Brasil, o São Paulo levou a melhor sobre o Santa Cruz. Os 21.056 pagantes que praticamente lotaram a Arena Barueri presenciaram um jogo digno de mata-mata, com direito a pênalti perdido e 4 expulsões.

O Santa Cruz havia vencido a primeira partida no Recife pelo placar de 1 x 0 (gol contra de Rodrigo Souto) e veio à São Paulo jogando pelo empate para garantir a classificação para as oitavas de final da competição nacional. Sabendo que não se tratava de uma tarefa nada fácil, o técnico José Teodoro decidiu adotar uma formação mais defensiva , apostando nos contra-ataques. O que ele não esperava era ver a abertura do placar logo aos 9 minutos do 1º tempo, após a cabeçada do zagueiro Rhodolfo. Depois disso o Tricolor paulista dominou a partida, não dando espaço para os pernambucanos, que se preocupavam mais em bater do que em jogar. Bateram, bateram e bateram até que aos 42 minutos do 1º tempo o zagueiro André Oliveira do Santa Cruz cometeu um pênalti sobre Dagoberto, em um lance totalmente desnecessário, já que o goleiro Thiago já possuía a pelota em suas mãos enquanto o zagueiro, que já possuía um cartão amarelo na conta, empurrava o atacante dentro da grande área. Um gol àquela altura decidiria a partida, mas Rogério Ceni, ao melhor estilo Loco Abreu, desperdiçou a penalidade e o Santa continuou no páreo, porém com um jogador a menos.

O 2º tempo começou do jeito que terminou o 1º: paulistas no ataque e pernambucanos na defesa, tentando alavancar contra-ataques que surtiam pouco efeito. Como o resultado levava o duelo para os pênaltis, o Santa decidiu se fechar por completo, marcando muito forte os donos da casa. Destaque para a fortíssima marcação de Everton Sena que, simplesmente, não deixou o jovem talento Lucas sequer tentar uma jogada de efeito, o atrito entre os dois terminaria na expulsão de ambos faltando 3 minutos para o final da partida. Quando o jogo estava morno o suficiente para que o internauta fizesse uma pergunta aos comentaristas da partida, Ilsinho tabelou com William José, invadiu a área e anotou o segundo gol do São Paulo, que só administrou a partida a partir dali. Com o segundo gol, o Santa Cruz se perdeu em campo, foi para o tudo ou nada, mas acabou ficando com o nada, além de mais duas expulsões para deixar a eliminação ainda mais amarga.
        
A grande verdade é que: Faltou técnica no toque de bola e nas finalizações da equipe de Recife, que se contentou com o placar de 1 x 0, mas esqueceu que do outro lado estava um time três vezes campeão continental e mundial e seis vezes campeão brasileiro. Contra um time grande é preciso também jogar como um, e por ter pecado nesse aspecto, o Santa Cruz volta a Recife com uma eliminação nas costas que podia ter sido evitada, não fosse a falta de crença em seu potencial.

O São Paulo segue na Copa do Brasil e enfrentará o Goiás na próxima fase. O jogo será dia 20/04 no estádio Serra Dourada com a possível estréia de Luis Fabiano, o “Fabuloso”.

Por Rafael Costa